Dicas para azulejista com Castellen do #Sou Cunheiro

O mercado da construção civil vem evoluindo muito, sempre com alguma ferramenta nova, ou técnica para efetuar algum serviço, e precisamos sempre estar antenados para não perder espaço no mercado. E nada melhor do que trocar ideias com profissionais que entendam do assunto. Por isso, preparamos uma entrevista com o Fernando Castellen, do #Sou cunheiro. A entrevista está cheia de dicas sobre: dupla camada de argamassa (dupla colagem), tipos de argamassa, desempenadeira dentada, furos em peças de revestimento e muito mais.

O Fernando Castellen é um dos 4 administradores do grupo #Sou Cunheiro, movimento vem ganhando bastante espaço nas redes sociais. Ele já está no ramo da construção civil a 11 anos, sendo que a 8 anos focado na parte de acabamentos. Conta com uma equipe de 8 profissionais, que atendem a região de Umuarama PR.

Iniciamos a entrevista, perguntando sobre capacitação, quais cursos ele já fez. E tivemos uma grande surpresa com o grau de profissionalismos dele, pois até um curso de marketing e comunicação de vendas ele fez, o Fernando comenta que ajuda com que ele consiga ter uma boa postura como vendedor da sua própria mão de obra. 

 Além desse de marketing, ele fez outros treinamentos: 

  • Treinamento sobre argamassa,  com a Ceramfix e com a Quartzolit .
  • Treinamento sobre revestimentos, esse treinamento fez com a Ceusa e outro com a Portinari.

Fernando, quando você indica o uso de dupla camada de argamassa?

 

 

Esse é um assunto bem polêmico (risos), existem normas, todo o serviço é normatizado na verdade. Então, pela norma pede que faça dupla colagem em revestimentos acima de 30x30cm, 900cm², a gente sempre segue a norma a risca, tem vezes que até revestimento menores usamos dupla colagem já pelo hábito mesmo, daí acabamos fazendo em revestimentos que não é obrigado pela norma. 

 

Qual o maior benefício que você vê no uso da dupla colagem e quais os problemas que terei se eu não fizer a dupla colagem?

 

O maior benefício é a durabilidade do trabalho.  Os problemas que podem acontecer é um futuro desplacamento, problema com garantia do produto (revestimento), “dor de cabeça” pro cliente, quanto pro o profissional, são infinitos problemas na verdade…

 

Temos vários tipos de argamassa no mercado, qual tipo de argamassa usar, ACI, ACII ou ACIII?

Lembrando que a gente não pode generalizar ACIII, todo mundo fala “ACIII é pra esse serviço” só que assim, tem vários tipos de ACIII. ACI é muito limitada, serve para revestimentos cerâmicos, aplicados em área interna, a ACII é para pisos cerâmicos, porém aplicados na área externa, mas quando se fala em ACIII, tem produto que não permite ser usado em fachada em mais de 3 metros de altura, como tem ACIII específica para banheiro, para porcelanato, tem para porcelanato sob porcelanato…  São vários tipos de ACIII, antes de comprar a argamassa, entenda aonde você irá utilizar.

O que a gente usa é sempre a recomendada pelo fabricante de revestimento. E assim, se a gente for fazer uma fachada com 6 metros de altura, tem um ACIII próprio pra isso, e nos proporcionar uma garantia maior.

 

Existem alguns tipos de desempenadeira dentada, qual que você indica usar?

Você vai me ver batendo bastante na tecla de normas, eu sou um cara que tento acompanhar o máximo das normas. Hoje tem 3 desempenadeiras citadas na norma, na NBR 13753, uma delas é 6×6, que são dentes de 6mm em 6mm, com 6mm de altura, que é para revestimentos com até 400cm², essa é bastante usada para pastilha e para revestimentos menores. 

Tem a 8x8mm, que no caso seria para revestimentos até 900cm² e a 10mm que é a semicircular, indicada para peças acima de 900cm², mas assim, essas normas foram elaboradas lá em 1996, então já está um pouquinho ultrapassadas. As vezes precisamos usar dentes muito maiores para fazer a regularização do chão ou parede. 

O que a gente usa bastante hoje, é um padrão de argamassa, e uso com desempenadeira de 15×15 no chão, e 10×10 na parede, e no tardoz (parte de trás) da peça, com dente de 5mm, esse é o meu padrão. Porque se porventura eu vier fazer alguma substituição de peça futuramente, eu sei o quanto de argamassa usei. 

Dessa forma é mais rápido, porque se eu precisar recolocar uma peça, do meio de uma sala por exemplo, se eu colocar pouca argamassa, vai dar trabalho para eu levantar aquela peça, e estar fazendo o preenchimento embaixo. E se eu colocar bastante argamassa, aquela massa vai sair pela junta, então eu já coloco a quantidade certa, que é o nosso padrão e evitamos futuros problemas.

 

No seu dia a dia, qual o formato do dente da desempenadeira dentada que você usa, dentes retos, semi circulares…? 

 

 

Essas semicirculares, não é do meu hábito usar.  A norma diz que quando se usa ela, não precisa de dupla camada, mas desde que tenha a argamassa recomendada, porém, a semicircular não gostei muito, não me adequei a usar ela, uso apenas os dentes quadrados, e as vezes, mas só no tardoz da peça que uso a semicircular de 5mm, para fazer dupla camada.

 

Quais os cuidados que você toma quando vai furar uma peça de revestimento?

A primeira coisa, é o profissional conhecer o material que está trabalhando. Tem material mais rígido, e tem material mais macio. Quando o material é mais rígido, o que a gente faz, é quebrar a tensão da peça, tem casos de que gente faz furos com broca serra copo de 6mm, para ir quebrando a tensão, para depois, caso precise, estar fazendo os cortes, e não judiar tanto da peça, sobreaquecer, acabar até danificando o disco. Então é isso, o profissional tem que reconhecer o material que ele está usando. 

 

Qual dica você daria de como furar peças de grande formato, e qual o maior tamanho de peças que você já assentou?

 

 

O maior tamanho até o momento foi 80cm x 180cm, mas o mercado está proporcionando com mais frequência os grandes formatos, acredito que ano que vem as coisas mudem por aqui, e tamanhos maiores apareçam nos nossos trabalhos.

E sobre furar peças de grande formato, o negócio é você rezar um pai nosso, se benzer (risos), estou brincando. 

Para as peças de grande formato é reconhecer o material também, entender com que tipo de revestimento está lidando, mais rígido ou mole, isso irá ajudar no tipo de técnica que deve ser aplicada, o recomendado é cortes e furos sempre a úmido, para evitar a menor quantidade de perda possível. 

 

E para conseguir um bom acabamento nessa parte dos furos, o que você utiliza que poderia dar de dica para os profissionais?

 

Primeira coisa, o profissional precisa colocar na cabeça, que ferramenta não é gasto, é investimento, essa é a primeira dica. Depois cada ferramenta tem um uso, nada está no mercado por acaso, o profissional precisa de ferramentas de qualidade, como o serra copo, uma esmeriladeira, lixas brilho d’água, rebolos, esponjas diamantadas, esquadros multifunção, são uma infinidades de ferramentas que o profissional precisa ter, assim vai conseguir  executar um serviço de qualidade, sem se preocupar, sem ter que estar fazendo manobras.
Hoje existem ferramentas para tudo, basta o profissional estar procurando, e saber qual trabalho que ele precisa que a ferramenta execute. Se a ferramenta facilita o seu trabalho, vale a pena o investimento.

 

Quando perguntamos, se ele tinha uma mensagem para deixar aos profissionais, ele nos surpreende novamente com a seguinte frase do Mario Sergio Cortela: 

“Elogie em público e critique em particular. Um sábio orienta sem ofender, e ensina sem humilhar.”

E como o próprio Castallen diz: TCHAUU BRIGADO!

 

 

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